21/04/2005

O QUE PERGUNTA O PS?

A Assembleia da República aprovou a realização dum referendo à descriminalização do aborto, de acordo com uma proposta de Resolução do PS. A pergunta propõe a descriminalização do aborto realizado até às 10 semanas de gravidez: "Concorda que deixe de constituir crime o aborto realizado nas primeiras dez semanas de gravidez, com o consentimento da mulher, em estabelecimento legal de saúde?".
Porém, o projecto do PS que está na base da resolução aprovada, fala em 16 semanas. Tal facto levou a que 40 Deputados do PS apresentassem uma declaração de voto.
Em que é que ficamos? O que quer afinal o PS? Qual é a sua prioridade? O referendo à Constituição europeia ou o referendo ao aborto? Pelo andar da carruagem, o PS apenas quer fazer política.

20/04/2005

O AMIGO DE LISBOA OU DA INCONSTITUCIONALIDADE DA LIMITAÇÃO DOS MANDATOS DOS PRESIDENTES DOS GOVERNOS REGIONAIS

No anjo mudo, publico um texto, sobre as relações dos Açores com Lisboa, no qual assinalo que a proposta de Lei que o Governo de José Sócrates aprovou para a limitação dos mandatos políticos é inconstitucional na parte em que impõe um limite ao mandato dos Presidentes dos Governos Regionais, por violação do artigo 231º, nº 7 da Constituição.Sendo esta uma matéria compreendida no estatuto dos titulares dos órgãos regionais, é por essa via, objecto de reserva de inicitiva por parte das Assembleias Legislativas, em sede de Estatuto Político-Administrativo. Aqui ao lado, como sempre.

19/04/2005

TRADIÇÃO E CONTINUIDADE

A Igreja Católica tem, desde há poucos momentos, um novo pastor. Bento XVI representa a tradição e a continuidade. O Cardeal Joseph Ratzinger encarnará, talvez, um papado de transição, com um forte sinal de conservadorismo. Acho que a Igreja decidiu fazer um compasso de espera com a história. Oxalá me engane!

18/04/2005

O nome convoca o centenário e mítico hotel de Nova Iorque - Waldorf Astoria - na Park Avenue, bem no coração da cidade que não dorme, local de eleição para princípes - da realeza ou mais das mais plebeias profissões. Porém, o post é sobre o bem mais modesto Astoria de Coimbra, a espreitar o Mondego.
Os acasos levaram-me, após 20 anos, a este hotel. Ao entrarmos no Astoria, sentimos que o tempo parou: a porta com gradeamento de ferro, os veludos pesados, a acusarem a marca sofrida do tempo, a recepção em exercício de resistência à modernização, as velhas fotografias nas paredes, dum tempo que não volta, o elevador que nos faz hesitar por um imperceptível segundo, ao transpormos as suas pesadas portas de ferro forjado.
Num local de passagem como é, por definição, um hotel, sentimos que no Astoria o tempo teima em não passar. O conforto do mundo fica lá fora, num quarteirão que não resistiu à mudança: uma loja da Zara, uma agência bancária...
A suspensão do tempo lá dentro: a sala de estar com pequenas secretárias de leitura, com separadores de vidro fosco fez-me lembrar da biblioteca do Clube Asas do Atlântico (em Santa Maria) da minha infância, na qual havia umas iguazinhas (a memória é traiçoeira, mas juro que eram iguais, iguais) e para a qual me escapulia vezes sem conta.
A memória do (des)encontro aqui fica!