21/10/2005

UMA BOA NOTÍCIA

A candidatura presidencial de Cavaco Silva.
Um dicurso de apresentação eficaz e de grande lucidez. Uma atitude determinada. Um candidato ganhador.
A partir de hoje, a disputa presidencial mudou de figura!

DE REGRESSO A ANTÓNIO VIEIRA

Antigamente convertia-se o Mundo, hoje porque se não converte ninguém? Porque hoje pregam-se palavras e pensamentos, antigamente pregavam-se palavras e obras. Palavras sem obra são tiros sem bala; atroam, mas não ferem. A funda de David derrubou o gigante, mas não o derrubou com o estalo, senão com a pedra: Infixus est lapis in fronte ejus. As vozes da harpa de David lançavam fora os demônios do corpo de Saul, mas não eram vozes pronunciadas com a boca, eram vozes formadas com a mão: David tollebat citharam, et percutiebat manu sua. Por isso Cristo comparou o pregador ao semeador. O pregar que é falar faz-se com a boca; o pregar que é semear, faz-se com a mão. Para falar ao vento, bastam palavras; para falar ao coração, são necessárias obras. Diz o Evangelho que a palavra de Deus frutificou cento por um. Que quer isto dizer? Quer dizer que de uma palavra nasceram cem palavras? - Não. Quer dizer que de poucas palavras nasceram muitas obras. Pois palavras que frutificam obras, vede se podem ser só palavras! Quis Deus converter o Mundo, e que fez? Mandou ao Mundo seu Filho feito homem. Notai. O Filho de Deus, enquanto Deus, é palavra de Deus, não é obra de Deus: Genitum non factum. O Filho de Deus, enquanto Deus e Homem, é palavra de Deus e obra de Deus juntamente: Verbum caro factum est. De maneira que até de sua palavra desacompanhada de obras não fiou Deus a conversão dos homens. Na união da palavra de Deus com a maior obra de Deus consistiu a eficácia da salvação do Mundo. Verbo Divino é palavra divina; mas importa pouco que as nossas palavras sejam divinas, se forem desacompanhadas de obras. A razão disto é porque as palavras ouvem-se, as obras vêem-se; as palavras entram pelos ouvidos, as obras entram pelos olhos, e a nossa alma rende-se muito mais pelos olhos que pelos ouvidos.
Padre António Vieira, Sermão da Sexagésima, 1655

19/10/2005

AS FALSA COOPERAÇÃO COM LISBOA

As notícias que resultam da apresentação do orçamento de Estado para 2006 não podiam ser piores: o mesmo montante de trasnferências financeiras ao abrigo da Lei das Finanças das Regiões Autónomas e uma brutal redução em todas as outras tranferências. Resultado? Menos 11,6% no valor glbal das transferências para os Açores.
A proposta de OE apresentada pelo Ministro das Finanças é bem o sinal da interpretação que o Governo de José Sócrates faz da solidariedade para com os Açores, ao mesmo tempo que atira para o caixote do lixo da história as promessas eleitorais dos socialistas açorianos de que a cooperação com Lisboa ,sob o signo da rosa, seria um longo romance político.
Para Carlos César, o embaraço político é evidente: depois de ter afirmado que o Governo de Durão Barroso era "o pior Governo de sempre para as Autonomias", o que dirá agora do Governo do seu amigo José Sócrates?

AS TRAPALHADAS DO GOVERNO SOCIALISTA

Aqui ao lado, no anjo mudo, um comentário sobre a criação de mais uma sociedade anónima por parte do Governo Regional dos Açores, com vastos e inusitados poderes de autoridade pública, nos domínios do ambiente e do planeamento do território. Em nome da facilidade na obtenção de recursos financeiros, a Região transfere para uma sociedade anónima, cuja fiscalização política escapa à Assembleia Legislativa, poderes que devem ficar na esfera jurídica da Região. Para os mais curiosos, a proposta de Decreto Legislativo Regional está disponível aqui, valendo a pena ler os artigos 2º e 7º. Para bom entendedor...

16/10/2005

DA VITÓRIA E DA DERROTA EM 9 DE OUTUBRO

Terá o PS ganho as eleições autárquicas nos Açores ou, pelo contrário, apenas os sociais-democratas poderão reclamar uma vitória? Quais os critérios para determinar o vencedor eleitoral? Do meu ponto de vista, o PSD e o seu líder são os únicos vencedores globais da noite eleitoral. Como sempre, aqui ao lado, no anjo mudo.

DEPOIS DO SILÊNCIO....

Depois dum período de silêncio auto-imposto pela campanha eleitoral (com os inevitáveis reflexos nas audiências, no share e cotação bolsista deste blog), volto a escrever ao ritmo habitual. Dentro de momentos, colocarei um post sobre as eleições autárquicas nos Açores.