17/12/2008

OMISSÕES E CONTRADIÇÕES À VOLTA DO ESTATUTO

Como açoriano, autonomista e social-democrata não me revejo na posição que o PSD nacional tomou quanto à votação final do Estatuto Político-Administrativo dos Açores, na Assembleia da República, a qual merece o meu repúdio. Aqui ao lado, no anjo mudo, coloquei o artigo que publico hoje no Açoriano Oriental sobre este assunto.

02/12/2008

DESCULPAS DE NOVO?

Público

Falhou o que não podia falhar: depois da estratégia, é preciso que a táctica permita que o jogo do Benfica responda ao jogo do adversário. O desenho estratégico do Benfica (o clássico 4x4x2 ou o moderno losango) não é a táctica que, em cada jogo, se deve moldar ao jogo do adversário. Quique Flores ainda não acertou com a leitura táctica. O contador continua a sua marcha: 1290 dias.

01/12/2008

1289

1289 dias depois de liderar um campeonato de futebol, o Benfica pode voltar a ficar na frente. A esperança veste de encarnado.

PRIMEIRO DE DEZEMBRO

O feriado é laico, como alguns gostam de assinalar, para assim acentuarem a separação da Igreja do Estado. A verdade é que poucos sabem o que hoje se celebra. Entre a neve no Marão e na Serra da Estrela, que enche os telejornais e a perspectiva dum próximo fim-de-semana prolongado, ninguém está muito preocupado em convocar a história e lembrar o "domínio filipino". Em 1640, Portugal reganhou a independência, de uma forma bem diferente de como hoje a entendemos. O conceito de soberania que Jean Bodin, entre outros, teorizou na sua obra monumental "Les six livres de la République" (1576) já não serve para interpretar as novas formas de soberania, carcaterísticas dos tempos que atravessamos.

28/11/2008

POVO AÇORIANO

A propósito do meu post "deve ser esquecimento", de resposta a André Bradford, coloquei no anjo mudo dois textos: um artigo de opinião publicado no Açoriano Oriental de 14 de Maio de 2008, intitulado "Povo Açoriano" e a declaração de voto que proferi, em nome individual, em 21 de Maio de 2008, na Assembleia Legislativa no momento em que o parlamento se pronunciou sobre as alterações introduzidas pela Assembleia da República na proposta de Lei de revisão do Estatuto .
Claro que ainda estou à espera que o André Bradford demonstre a sua defesa pública da inclusão da expressão "povo açoriano" no Estatuto e já agora o que disse quanto a outras matérias: o princípio da preferência do direito regional sobre o direito estadual, a defesa dum tribunal de 2ª instância nos Açores (Tribunal da Relação) ou a reintrodução na proposta de Lei de preceitos relativos ao Representante da República - que não é um órgão de governo próprio da Região - para apenas citar algumas.

TERRORISMO GLOBAL

As imagens - que todos os canais do mundo transmitem - são brutais: corpos, sangue, edifícios a arder, forças de segurança em acção. As expressões "massacre" ou "carnificina" não são suficientes para descrever o horror que passa em directo sob o nosso olhar. A essência do terrorismo moderno é precisamente esta: a escolha dum alvo civil - um aeroporto, um centro de escritórios, um hotel - e a morte de inocentes. O medo difuso é levado ao extremo : nada está seguro, em lado nenhum. Em New York, Bali, Madrid ou Bombaim, em qualquer lugar, em qualquer momento, um acto terrorista pode acontecer.

27/11/2008

INTENDÊNCIAS

Colocados no anjo mudo, aqui ao lado, os dois últimos artigos de opinião publicados no Açoriano Oriental.

26/11/2008

DEVE SER ESQUECIMENTO...

André Bradford escreve no ilhas um post sobre o referendo na Gronelândia, mostrando o agrado (deslumbramento?) pelo facto do Primeiro-Ministro dinamarquês, em comentário aos resultados se ter referido ao "povo gronelandês", para logo traçar um paralelo com a atitude das "instituições nacionais"em relação ao processo de reforma do Estatuto Político-Administrativo dos Açores.
Convém recordar que foi o PS (também uma instituição, claro) a envergonhar-se da expressão "povo açoriano" e a deixá-la cair na Assembleia da República. Foi também um alto responsável pelo PS/Açores e Deputado à Assembleia da República, Ricardo Rodrigues, que declarou que a expressão "povo açoriano" "não dava pão".
O PS de André Bradford prefere hoje persistir numa teimosia a propósito do artigo 114º (quanto à dissolução da Assembleia Legislativa) ao invés de se ter batido - como devia - pela manutenção da expressão "povo açoriano". Não me recordo de ter lido qualquer opinião de André Bradford em defesa da inclusão daquela expressão no Estatuto e este post tem o sabor perverso da reescrita da história.
Gosto de falar da Gronelândia, mas prefiro discutir sobre os Açores.

23/11/2008

A CRISE EM DISCURSO LENTO

No discurso de tomada de posse do X Governo Regional, Carlos César esconjurou a crise, concluindo que crise resulta da obsessão dos media pelo tema e da insitência da oposição. Afinal, parece que as universidades se preocupam com a crise, ou melhor, com as várias crises que atravessam a sociedade: a Univsersidade dos Açores organiza esta semana umas jornadas de ciência e tecnologia, em que se discutem várias crises: da crise da água à crise da mecânica clássica.

21/11/2008

UNS E OUTROS

Créditos fotográficos LIFE GOOGLE

"Voar como uma borboleta e picar como uma abelha", a expressão que Cassius Clay (Muhammad Ali) utilizava para definir o seu estilo inigualável. Uma metáfora para os tempo de agora.

20/11/2008

UM POUCO MENOS DO PARAÍSO

O encerramento da Byblos é uma triste notícia, como são tristes todas as notícias que contam a história de livrarias que desaparecem. "Sempre sonhei que o paraíso é uma espécie de livraria", como escreveu Borges. Perdeu-se, hoje, um pouco do paraíso.

19/11/2008

INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO DISCURSO


O discurso de Carlos César na tomada de posse do X Governo Regional é apenas o prenúncio do fim anunciado. Tal como o mágico que, rotineiramente, repete o espectáculo para um público que já conhece os truques e a sua sequência, Carlos César prossegue um caminho sem retorno. Como parecem longínquos os tempos da "Nova Autonomia". O toque mágico de David Copperfield já não está lá.

18/11/2008

A IX LEGISLATURA

A IX Legislatura começou. Espero que, tal como a IX Sinfonia de Beethoven, possa ser vibrante, estimulante e criativa.
A eleição de Francisco Coelho - parlamentar de inegáveis qualidades e talento político - como Presidente da Assembleia Legislativa não apaga o rasto tumultuoso e fratricida da sua ascensão a presidente do parlamento regional, num sinal claro de que, larvarmente, o PS começou a mover-se em direcção ao "day after".

17/11/2008

UM NOVO COMEÇO

Na Horta, à borrasca de ontem, sucede, desde a alba, uma ténue bonança. O tempo atmosférico não corresponde ao tempo político. Tudo será diferente daqui para a frente.

02/01/2008

ESPERANÇA E DESILUSÃO

Começamos o ano, renovando o votos de sempre.
Entre a esperança e a desilusão entramos num novo ano, que não augura optimismos. Bom ano!

31/12/2007

VIRTUDES E PECADOS - II

"Estamos perante uma grande empresa privada portuguesa, cotada, que tem o seu corpo accionista. É aos accionistas que compete decidir. Houve aqui uma confluência de influências no BCP que não me parecem saudáveis, estando nós no século XXI e na União Europeia". A firmação é de Miguel Cadilhe, no PÚBLICO de hoje, sustentando a apresentação da sua candidatura à adminsitração do BCP. O que quer dizer Miguel Cadilhe, cuja candidatura - independentemente de tudo o resto - revela determinação e coragem?

28/12/2007

DESTINO E INCERTEZA


Benazir Bhuto cumpriu o destino que lhe garante um lugar nas mitologias modernas: viveu depressa e morreu tragicamente. Morre assassinada na mesma cidade em que o seu pai, Zulfikar Ali Bhuto, Presidente e Primeiro-Ministro do Paquistão, foi enforcado. Do que se escreveu sobre ela, retenho a firmação da sua biógrafa, Christina Lamb "é uma mulher corajosa, elegante e inteligente. E, ao mesmo tempo, uma grande desilusão como Primeira-Ministra". Com a sua morte, os dados do jogo político, numa região que alguns designam como "zona de fractura geopolítica", mudam caprichosamente. A estratégia dos EUA sofre uma revés, quando apostavam numa certa democratização do Paquistão, como contraponto ao extremismo.
Um dos países do clube nuclear, está, agora, perigosamente mais instável.

BELEZA NUM TEMPO PERIGOSO

Créditos fotográficos da NASA
"Boomerang Nebula" - uma nuvem de pó e gás, formando dois cones simétricos duma beleza espantosa.

27/12/2007

VIRTUDES E PECADOS



O recato e a discrição - apanágio dos banqueiros - tornaram-se irrelevantes no longo e trágico processo do Millenium BCP. O maior banco privado português desperdiça o seu capital fiduciário numa intrincada telenovela mexicana. É-me indiferente que os accionistas escolham este ou aquele administrador. Porém, já não é indiferente perceber se houve ou não interferência dos corredores do poder na solução Santos Ferreira.

24/12/2007

EM DEZEMBRO, PORQUE NÃO?

A adoração dos Magos, Hieronymus Bosch - Créditos fotográficos da Web Gallery of Art

Não escrevo sobre política, futebol ou outro tema da actualidade. Aproveito para falar do Natal, do seu significado intemporal, para todos aqueles que acreditam num Deus – chame-se ele como se chamar, porque o nome de Deus não é relevante.

O Evangelho da Vigília é de Mateus e propõe-nos um filho de Deus próximo de nós, que se orgulha das gerações que o antecederam. Este Jesus, não é apenas uma divindade distante, destinada a alguns privilegiados ou a alguns eleitos. Como escreve o evangelista, "a Virgem conceberá e dará à luz um Filho, que será chamado "Emanuel", que quer dizer "Deus connosco"".

A expressão "Deus connosco" condensa boa parte da mensagem cristã. Ela contém uma atitude, um programa de vida, que não passa de moda e resiste a todas as modas. É certo que não vem com a playstation, com o gameboy ou com ipod, mas Ele está lá. Estar com alguém é partilhar os bons e os maus momentos, os sucessos e a dor, a alegria de viver e a tristeza de todas as partidas. Por vezes, a dureza da vida ou das circunstâncias pessoais, levam-nos a perguntar por este Deus que parece desaparecer. E duvidamos, com naturalidade, humanamente.

Porém, Ele está "connosco", porque é assim que se desenha esta relação, feita no profundo significado da individualidade de cada um. "Deus connosco" não é slogan de marketing religioso, mas elogio à singularidade de cada homem e de cada mulher.

Regresso a Al Berto, um dos meus poetas: "Um dia frente ao mar, ele pensou: se me apagasse neste preciso instante, o mundo pouco se importaria com isso. No entanto, deixaria de ser o mesmo: seria um mundo com todas as coisas que conheci e toquei, mas sem mim".

Em véspera de Natal, gosto sempre de lembrar os Magos, que se tornaram apenas num adorno na história que contamos ritualmente aos nossos filhos. O Deus de sempre, fê-los acreditar e partir. Com simplicidade, iniciaram uma jornada de fim incerto, guiados apenas pelo coração. Este Deus que vai (re)nascer é um Deus de convicções, de firmeza nas escolhas. Acho que só assim é que podemos seguir o brilho ténue duma estrela, acreditando que Deus caminha ao nosso lado.

Um Santo Natal.
PUBLICADO NO AÇORIANO ORIENTAL, EM 19 DEZEMBRO 2007