08/03/2005
A CRATERA DE MIMAS
Mimas é uma das luas mais pequenas de Saturno. A foto é da Cassini que, por cima de nós, nos mostra o que está para além do olhar.
(Créditos fotográficos da NASA)
Há sempre um lado da luz e outro da escuridão. A nossa posição em relação a eles pode variar. Porém, eles permanecem.
07/03/2005
OS IDOS DE MARÇO
1. A declaração de Freitas do Amaral ao Expresso, de acordo com a qual apenas aceitou ir para o Governo depois de conhecer a sua composição, é um dos primeiros sinais equívocos do novo Governo socialista. A contribuição de alguns de que fala o novo Ministro dos Negócios Estrangeiros é interpretada na primeira pessoa. Não sei o que pensará o Engº Sócarates da divulgação pública de que o seu Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros apenas aceitou integrar o Governo depois de fazer uma avaliação de todo o elenco. Quantas estrelas vão brilhar no firmamento cor-de-rosa?
2. O nóvel Ministro das Finanças admitiu um aumento de imposto a médio prazo. Para primeira declaração pública, ainda antes de ser empossado, é, no mínimo descuidada. Será este o novo estilo dos independentes no Governo?
3. O episódio da fotografia do fundador do CDS/PP é ridículo. Se o ridículo matasse, o Secretário-Geral do CDS/PP teria morrido em directo nos telejornais. A história, como sabemos - talvez o PP tenha optado por ignorá-lo - não se reescreve.
4. Dos confins de Luanda, Cavaco Silva deixou adivinhar a sua candidatura presidencial. As sondagens abrem-lhe uma avenida eleitoral. A teoria dos ovos e dos cestos terá geometria variável?
O NOVO GOVERNO
Um post pensado no dia do anúncio da composição do Governo e apenas publicado hoje.
A constituição do Governo merece uma observação prévia: José Sócrates fez aquilo que deveria ser a norma: a composição do Governo apenas foi conhecida quando foi oficialmente divulgada, sem que o habitual "diz-que-diz" alimentasse as páginas dos jornais. O facto tornou-se ainda mais evidente, quando as últimas alterações do Governo ainda em funções foram feitas nos jornais...
O novo Governo não surpreende nem emociona. A surpresa vem mais dos que ficam de fora, dos que agora sobem a ministros, se bem que a ida de Freitas do Amaral para Ministro dos Negócios Estrangeiros (depois das radicais posições públicas quanto às relações com os EUA) se arrisque a destoar no capítulo que tem sido uma constante política em Portugal, entre os dois partidos de alternância: a política externa.
Teremos de esperar pelo programa do Governo para perceber que tipo de opções e de políticas vai este Governo executar.
Com o tipo de Governo que escolheu formar, o Engº Sócrates também vai ter de provar a sua própria autoridade como Primeiro-Ministro. A escolha de independentes ( dos que apenas não são filiados aos aoutros) não é garantia de coisa nenhuma.
Os governos são como os melões: só sabemos como são depois de os abrirmos. Esperemos, então!
AVIÕES E BLOGUES
As viagens apenas ligam bem com a blogosfera quando os deuses da informática ajudam. Em trânsito pelos Açores, cheguei a suspeitar que o blogue se tinha ..."apagado", tal a sua inacessibilidade. Já vi que não. Pois então, volto já!
01/03/2005
OS CENTROS E AS PERIFERIAS
Iniciei o dia com uma palestra a uma centena de alunos da Escola Secundária da Lagoa, sobre a "Constituição e os Cidadãos", no âmbito duma louvável iniciativa inscrita nos projectos associados ao Congresso da Cidadania.
Audiência atenta e um tema sugestivo, a propósito do qual reflectimos sobre a generalizada falta de consciência de cidadania e a, também generalizada, abstenção de exercício de direitos por parte dos cidadãos.
A propósito do tema, não deixei de falar da experiência autonómica pós-25 de Abril, do aprofundamemento das autonomias que as sucessivas revisões constitucionais foram selando e da natureza dialéctica do processo autonómico, lembrando o simbolismo da data, que o Carlos Riley assinala aqui.
Para os mais interessados, recomendo a leitura d' "Das luzes pombalinas às encruzilhadas liberais nos Açores: o caminho de São Miguel", do mesmo Carlos Riley, in Estudos em Homenagem a Luís António de Oliveira Ramos, Faculdade de Letras da Universidade do Porto, 2004.
28/02/2005
HOW TO DISMANTLE...
How to dismantle a line? O concerto dos U2 provocou um clima de histeria entre os fãs do grupo, em especial entre os mais jovens. A iconografia do dia faz-se de longas filas de jovens embrulhados em mantas, abafados em cartões, plásticos e tudo o mais que houver à mão e que sirva para uma boa defesa contra o frio, à porta de bombas de gasolina na esperança de que a longa espera se converta num almejado bilhete para o concerto de Bono Vox.
O país de Bono está longe das crises do PSD e dos silêncios profundos e comedidos do Largo do Rato. "Epur si muove" ("e no entanto, ela move-se")!
CAFÉ DA MANHÃ
Apressadamente ao balcão, ela pede um descafeínado com adoçante. É o desconsolo absoluto!
Bom-dia!
25/02/2005
MARMELADA E OUTRAS TENTAÇÕES...
O comentário do Carlos Riley a propósito dum chá com torradas, remete-nos para o domínio do prazer gastronómico. Íntimo, indivisível (embora partilhável), que perdura nas mais recônditas memórias. Quantas vezes esquecemos um lugar, uma cara, um nome, mas lembramos aquele sabor, a que as partidas da memória conferem um dimensão inigualável. Reconhecemos lugares, gentes, circuntâncias através da memória gustativa...traiçoeira, como só a memória pode ser.
Vamos, então, à receita da marmelada!
Ingredientes - Marmelos e açúcar
Preparação - Escolhem-se os marmelos, com o cuidado de apenas as peças sem "toques". Devem utilizar-se alguns marmelos não totalmente maduros. Descasque os marmelos, corte-os em quartos e coza-os em água. Depois de cozidos reduza-os a puré.Se preferir a marmelada mais clara, deve passar os marmelos por uma peneira de crina; se, por outro lado, preferir a marmelada mais vermelha utilize um passador de metal. Pese o puré obtido e tome o mesmo peso de açúcar mais um quarto, isto é: para 1 Kg de puré de marmelos precisa de 1,250 Kg de açúcar. Leve ao lume e deixe cozer mais 5 minutos mexendo sempre, até obter consistência. Depois, é só colocar em tigelas e deixar secar.
Para guardar a marmelada, continuo a preferir tapá-la com um simples papel vegetal - já agora, recortado na forma da tigela.
A CRISE NO PDA - A DÚVIDA EXISTENCIAL NO ILHAS
A propósito do post do António José aqui sobre a "performance" eleitoral do PDA - o seu partido do coração? - deixo um excerto dum texto publicado em 2001 sobre a PDA, no fim-de-semana em que, entre outras originalidades, realizou um congresso na ausência de Joaquim Cabral, então líder regional.
"Com uma expressão eleitoral reduzida a escassas centenas de votos, com um punhado de militantes, sem quadros, sem capacidade de sedução do eleitorado mais jovem e sem meios económicos, o PDA é, hoje, mais um clube ou uma associação cívica do que um partido. Aliás, as erráticas lideranças do PDA nos últimos anos, têm acentuado um fosso cada vez mais profundo entre as ambições do partido e os desejos do eleitorado, conduzindo-o a votações eleitorais cada vez menores e a um discurso, não raras vezes, quase boçal, sustentado numa actuação algo "folclórica", bastando invocar a audiência pedida ao Presidente da República, para discutir o problema ... do queijo.
Tendo oportunidade de ser um partido de elites e com representação parlamentar, o PDA limita-se a ser um partido auto-marginalizado, de gente conformada, sem chama nem ambição. A quase-morte do PDA empobrece a democracia dos Açores.
A propósito, relembre-se o impedimento constitucional à constituição de partidos de âmbito ou índole regional resultante do artigo 51º, nº 4 da Constituição. Esta restrição constitucional não faz qualquer sentido num Estado unitário regional como o nosso - isto é, com duas regiões autónomas - e que assume o princípio da descentralização democrática da administração pública como traço genético da matriz estadual."
Tendo oportunidade de ser um partido de elites e com representação parlamentar, o PDA limita-se a ser um partido auto-marginalizado, de gente conformada, sem chama nem ambição. A quase-morte do PDA empobrece a democracia dos Açores.
A propósito, relembre-se o impedimento constitucional à constituição de partidos de âmbito ou índole regional resultante do artigo 51º, nº 4 da Constituição. Esta restrição constitucional não faz qualquer sentido num Estado unitário regional como o nosso - isto é, com duas regiões autónomas - e que assume o princípio da descentralização democrática da administração pública como traço genético da matriz estadual."
MARQUES MENDES NA RTP
A entrevista de Marques Mendes à RTP demonstrou as suas inegáveis qualidades políticas. Foi duma transparência cristalina na avaliação do passado recente do PSD, com a autoridade de quem - no congresso de Barcelos - fez um discurso já de alternativa. Demonstrou serenidade na avaliação dos sentimentos dominantes nas bases sociais-democratas. Não foi equívoco em relação às eleições autárquicas e presidenciais. Exibiu um pensamento consolidado sobre o papel que cabe a um partido de oposição. Foi menos assertivo quanto à revisão do programa do PSD.
Não sei o que vai acontecer no próximo congresso do PSD. Porém, a entrevista de Marques Mendes anuncia uma atitude diferente, essencial para construir uma alternativa política de quatro anos, com serenidade e bom-senso.
24/02/2005
OS DIAS NA HORTA
Tomo chá com um amigo, num dos mais emblemáticos cafés dos Açores: o Internacional, na Horta, ali mesmo, debruçado sobre o canal.
Trocamos lembranças gastronómicas de infância. Falamos dos Açores no mundo, sem conversarmos sobre os resultados eleitorais. À beira do Atlântico, partilhamos a ideia de que falta ousadia à sociedade açoriana.
22/02/2005
AS ELEIÇÕES E O DIA SEGUINTE
O tempo mudou, tal como as marés e os ventos! O dia seguinte não pode ser igual ao tempo que já passou.
20/02/2005
O DIA PARA ESCOLHER...
Em todos os processos de decisão é sempre assim: podemos pensar, analisar, sopesar os argumentos, explorar as contradições, alimentar ou eliminar as dúvidas, fazer apreciações comparativas, ficar perplexos com as conclusões ou mais tranquilos com as intuições, mas chega o momento em que é preciso decidir.
Sem mais rodeios ou floreados retóricos, o dever de cidadania convoca-nos para junto duma urna de voto...
Hoje está um dia bonito para votar!
18/02/2005
ÚLTIMO DIA, ANTES DO RESTO
Uma velha canção de Frank Sinatra.
FOOLS RUSH IN
Fools rush in
Where angels fear to tread
And so I come to you my love
My heart above my head
Though I see
The danger there
If there's a chance for me
Then I don't care
Fools rush in
Where wise men never go
But wise men never fall in love
So how are they to know
When we met
I felt my life begin
So open up your heart and let
This fool rush in
17/02/2005
ESPERANÇA VESTIDA DE VERMELHO
Hoje a esperança veste de vermelho e tem nome de equipa de futebol. A distância não apaga a expectativa, nem atemoriza a esperança que, sabemo-lo do berço, é sempre a última coisa a morrer. Mesmo que seja já uma esperança desesperada.
A propósito do futebol do calcio e do estilo de jogo de Trapattoni, fica a citação:
"Majestade, acabei de chegar de Itália, e descobri ali um jogo extraordinário a que chamam calcio. É praticado com os pés e com as mãos, mas não tem nada a ver com o futebol que um édito real de 1349 considerou desonroso. E os homens que o praticam estão longe de serem o desprezível jogador de futebol que William Shakespeare fala no seu Rei Lear. O calcio tem regras muito estritas que lhe dão força e o tornam popular"
Conde de Albemarle ao Rei Carlos II de Inglaterra, em Le football, de Jean-Philippe Rethacker
OS CARTAZES, A VERGONHA E O RESTO
Ontem, os telejornais passaram o "sound-byte" do Presidente do PS/Açores, em campanha na Horta, no qual ele afirmava que o PSD tinha vergonha do seu candidato a Primeiro-Ministro e por isso não o trazia aos Açores.
A declaração merece três observações.
Primeira - Para um partido tão seguro das qualidades do seu próprio candidato a Primeiro-Ministro, que até gostará de o mostrar - argumento "a contrario", como os juristas gostam de dizer - então como se explica que a sua passagem pelos Açores se tenha ficado por um discreto jantar no Royal Garden, em Ponta Delgada, numa sala que, com vontade levará umas duzentas e cincquenta pessoas?
Segunda - Nã há razões para ter vergonha do candidato do PSD, cujo governo, conjuntamente com o governo de Durão Barroso, resolveu um conjunto assinalável de questões em contencioso com a República.
Terceira - Finalmente quanto a quem está envergonhado: o PSD colocou na rua cartazes com a cara do seu cabeça-de-lista, uma carta do Dr. Mota Amaral dirigida ao eleitorado. Do lado do PS, apenas recebemos em casa um folheto com Carlos César e José Sócrates em grande destaque, com o Dr. Ricardo Rodrigues remetido para uma mais do que discreta fotografia igual à dos outros candidatos, no interior do "infomail". Na rua, apenas cartazes de José Sócrates. Afinal, quem esconde o quê? Apesar de tudo, continuamos a escolher candidatos a Deputados. Ou não será assim?
14/02/2005
LÚCIA
A Fé é acreditar sem ver. A Irmã Lúcia teve um privilégio raro: viu. A sua morte encerra um capítulo da nossa história e da nossa identidade, mesmo para aqueles que não são crentes. Fátima não é um dogma de Fé. Acreditam apenas os que querem acreditar, sem que isso possa beliscar ou incomodar a sua Fé (direi, Fé particular). Fiquei comovido com a morte da Irmã Lúcia, sem que isso me impeça de cumprir as minhas obrigações. Sou daqueles que acreditam que, em Fátima, três crianças foram tocadas por um sinal de Deus. Sem mais!
REDUZIR O NÚMERO DE DEPUTADOS NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA
No anjo mudo, coloco o texto da minha comunicação na conferência organizada pelo Açoriano Oriental e pela Universidade dos Açores, sobre a revisão do sistema eleitoral para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.
Defendo a redução de nove Deputados na ALRA (retirando um por ilha/círculo eleitoral do contingente territorial).
Para uma rápida compreensão, recordo que o actual sistema eleitoral nos Açores está assim construído: atribuem-se dois Deputados por cada círculo eleitoral e mais um por cada 6.000 eleitores ou fracção superior a 1.000, em cada círculo eleitoral.
A sustentação política e jurídica da opção fica no anjo mudo, para os mais interessados neste debate. Apesar de ser um texto longo, a sua colocação no blogue justifica-se como mais um contributo para o debate público sobre a revisão do sistema eleitoral.
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