14/02/2005

REDUZIR O NÚMERO DE DEPUTADOS NA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

No anjo mudo, coloco o texto da minha comunicação na conferência organizada pelo Açoriano Oriental e pela Universidade dos Açores, sobre a revisão do sistema eleitoral para a Assembleia Legislativa da Região Autónoma dos Açores.
Defendo a redução de nove Deputados na ALRA (retirando um por ilha/círculo eleitoral do contingente territorial).
Para uma rápida compreensão, recordo que o actual sistema eleitoral nos Açores está assim construído: atribuem-se dois Deputados por cada círculo eleitoral e mais um por cada 6.000 eleitores ou fracção superior a 1.000, em cada círculo eleitoral.
A sustentação política e jurídica da opção fica no anjo mudo, para os mais interessados neste debate. Apesar de ser um texto longo, a sua colocação no blogue justifica-se como mais um contributo para o debate público sobre a revisão do sistema eleitoral.

12/02/2005

CONFERÊNCIA SOBRE A REVISÃO DO SISTEMA ELEITORAL

O Açoriano Oriental promove hoje, dia 12, pelas 15.00 horas, no anfiteatro C da Universidade dos Açores (Ponta Delgada) uma conferência sobre a revisão do sistema eleitoral dos Açores, que tem como oradores os Professores Jorge Miranda e Carlos Amaral, para além deste anjo (passe a publicidade).

À NOITE

Apenas pressinto o mar lá em baixo. A janela aberta para a noite. Um cão ladra, de vez em quando, na vizinhança. O silêncio é dono da casa. Na minha secretária, ao lado do portátil, uma Constituição, o Estatuto, mapas com resultados eleitorais, jurisprudência constitucional portuguesa e espanhola, leis eleitorais de outras regiões, um montão de documentos vários sobre a revisão do sistema eleitoral. Olho para a poesia do Al Berto mesmo ali ao lado, tentadora. Fica para depois. Paciência!

10/02/2005

AS SONDAGENS NAS BOCAS DO MUNDO

Para uma compreensão crítica das sondagens que agitam a campanha eleitoral ver o margens de erro, de Pedro Magalhães.

O HERDEIRO DE GUTERRES

Entrevistado pela TSF, José Sócrates não foi capaz de dar um resposta clara, quando perguntado se era um "herdeiro do guterrismo".
Refugiando-se nos lugares-comuns habituais, o mais que José Sócrates disse foi o óbvio: que ele e Guterres não eram a mesma pessoa e que cada um tinha o seu estilo. Assumiu como qualquer líder faz - o património global das lideranças anteriores (de Soares a Ferro Rodrigues). Porém, aquele que se auto-designou como um "animal feroz" não soube o que responder. Há perguntas fatais e respostas comprometedoras!

A CAMPANHA E O RESTO

Em jeito de balanço de campanha eleitoral, a 10 dias das eleições. Como sempre, aqui ao lado, no anjo mudo.

09/02/2005

A LARANJA COMO METÁFORA

O PSD e a política do retrovisor do PS no plano regional. Uma reflexão sobre a estratégia do PSD, enquanto maior partido da oposição nos Açores. Texto publicado na edição de Fevereiro da revista SABER-AÇORES, aqui ao lado, no anjo mudo.

08/02/2005

DEPOIS DO BAILE

Madrugada fria, quase desconfortável, depois duma noite de baile, em época de Carnaval (no Coliseu, pois claro!). Seis e pouco, sem que a alba enconjurasse a noite. Um jovem casal - ele de smoking e ela de vestido de noite, ambos elegantes, cumprindo a tradição no rigor da vestimenta, muito embora as pérolas dela pudessem muito bem ser falsas, o que nem sequer é relevante, pois àquela hora, todos os colares são verdadeiros, tal como todos os gatos são pardos - de pé, junto da bagageira aberta dum pequeno automóvel utilitário, ceava, retirando das profundezas do veículo as vitualhas apaziguadoras de tão matinal fome. Indiferentes aos transeuntes, sob o olhar plácido de Hintze Ribeiro, os jovens transformaram - por um breve instante - a avenida no mais tranquilo parque para um piquenique urbano.
É carnaval e ninguém leva a mal!

06/02/2005

NO INÍCIO DA CAMPANHA...

"Há muitos anos que a política em Portugal apresenta este singular estado:
Doze ou quinze homens, sempre os mesmos, alternadamente possuem o poder, perdem o poder, reconquistam o poder, trocam o poder... O poder não sai de uns certos grupos, como uma péla que quatro crianças, aos quatro cantos de uma sala, atiram umas às outras, pelo ar, num rumor de risos.
Quando quatro ou cinco daqueles homens estão no poder, esses homens são, segundo a opinião, e os dizeres de todos os outros que lá não estão - os corruptos, os esbanjadores da fazenda, a ruína do País!
Os outros, os que não estão no poder, são, segundo a sua própria opinião e os seus jornais - os verdadeiros liberais, os salvadores da causa pública, os amigos do povo, e os interesses do País.
Mas, coisa notável! - os cinco que estão no poder fazem tudo o que podem para continuar a ser os esbanjadores da fazenda e a ruína do País, durante o maior tempo possível! E os que não estão no poder movem-se , conspiram, cansam-se, para deixar de ser o mais depressa que puderem - os verdadeiros liberais, e os interesses do País!"
Eça de Queiroz, Uma Campanha Alegre (Este excerto é de uma das "Farpas" e escrito em Junho de 1871)

01/02/2005

REFORMAR O SISTEMA ELEITORAL

Uma primeira abordagem à reforma do sistema eleitoral nos Açores, aqui ao lado, como sempre no anjo mudo.

URGÊNCIA...

A urgência dum hospital é um dos lugares mais tristes do mundo. As longas esperas fazem-se de dor, de confidências de dores alheias, das breves angústias, dos sobressaltos que enganam a demora.
O ritual branco e azul das urgência é monótono. Chega a ser entediante.
Ontem à noite, uns luminosos ténis cor-de-laranja nos pés duma médica fizeram-me sorrir.

31/01/2005

O COLISEU DO POVO

O Coliseu Micaelense voltou a pertencer ao povo.
Ontem, a reabertura do Coliseu Micaelense, restaurado na sua dignidade de maior casa de espectáculos dos Açores, ficou marcada pela simplicidade dos momentos que nos comovem e nos enchem de orgulho enquanto Açorianos.
O Coliseu é o símbolo da determinação de Açorianos que, há quase cem anos, quiseram contruir um sonho em São Miguel.
A nova vida do Coliseu é uma homenagem a esse espírito que nos identifica e singulariza enquanto povo.
A Câmara de Ponta Delgada está de parabéns! Os Açorianos estão de parabéns!

28/01/2005

BÉSAME MUCHO

A morte de Consuelo Velasquez, compositora mexicana e autora do bolero "Bésame Mucho" convoca a memória da música, da intimidade da dança, da sensualidade dos gestos...
"Como se fuera esta noche la ultima vez"... o verso dolente a antecipar o desejo que permanece...
A música também dança dentro de nós. Sacudimos a poeira dos dias vividos!

25/01/2005

ESTÁ ENGANADO, SENHOR PRESIDENTE!

O Presidente da República tem uma visão estreita da Autonomia. A minha Autonomia não é a Dr. Jorge Sampaio.
Como sempre, no anjo mudo, aqui ao lado.

A AUTONOMIA, SEGUNDO O DR. SAMPAIO

O Presidente da República veio a Ponta Delgada presidir à sessão inaugural do Congresso da Cidadania e ao mesmo tempo defender que os Açorianos e Madeirenses não deveriam aspirar a mais nenhuma evolução do sistema autonómico, sob pena de se colocar em causa a unidade do Estado.
O Presidente da República veio anunciar nos Açores que não gostou da última revisão constitucional.
O Dr. Jorge Sampaio esqueceu que uma Autonomia não reivindicativa é uma Autonomia morta. A Autonomia é, por essência, a afirmação das periferias contra o centro político, num processo dialéctico.
A Autonomia "cooperativa" contagiou o Presidente da República que, ao negar a evolução da autonomia constitucional acaba por colocar em crise um dos direitos dos cidadãos destas ilhas: o de escolherem o seu próprio caminho de auto-governo, fazendo jus à divisa do nosso brasão de armas: "antes morrer livres, que em paz sujeitos".
Amanhã colocarei um post mais desenvolvido sobre este discurso presidencial.

24/01/2005

A OLHAR O MAR


Um texto antigo, publicado na :Ilhas dedicada a Santa Maria.


o tempo vive enlatado na penumbra
dos dias

J. H. Borges Martins




Os ouvidos rente à ilha na escuta dos rumores das gentes. À procura, na minha ilha.

É estanho escrever a "minha ilha", como se as ilhas pudessem ter donos, ao contrário dos ensinamentos dos mapas!

Maria, nome de mulher e de santa, é invocação de ilha. De ilha que não dorme.

Olhos diligentes, em vigílias de azul atlântico, miram os céus, transformando aeronaves em psicadélicos insectos que pulsam nos ecrãs onde nunca é dia.

O aeroporto é sempre um lugar de gente apressada. Até as recordações se ajeitam ao "rush" de quem parte e de quem chega.

A pista, como língua de vaca preta, é a porta para outro lado.

Como escorre demorada a memória das coisas e dos lugares com gente da nossa vida.

Os princípios de tarde, sentado nas escadas do tanque, na Vila, à espera da biblioteca da Gulbenkian, quando inscrevi os meus irmãos como leitores, para poder levar mais alguns livros para casa, sob o olhar atento do Rosélio e do Vieira.

Os dias em que o Pepe - artista de circo, fotógrafo de meia-ilha - falava comigo e me contava de deambulações de saltimbaco e de amores de circo que me arregalavam os sentidos.

A magia estava mesmo ali, a saltar da sua loja de fotografias.

Os dias das sopas do Espírito Santo, em que a fé iguala todos, na copeira, com a carne, o pão e o vinho, em nome da partilha.

Sem convites, todos os que vierem são recebidos.

O negrume imaculado dos Anjos, lugar de Colombo e pátria emprestada da poesia do Padre Serafim de Chaves.

Os dias em que me tornei amanuense de empréstimo e aprendi a escrever à máquina, depois da escola, no serviço do meu pai. Martirizava uma velha máquina mecânica, atrás dum enorme balcão de madeira, com o dobro da minha altura.

Dias felizes, em que os papéis não tinham importância e o meu pai elogiava as minhas qualidades de dactilógrafo.

E eu, p'rá aqui, a olhar o mar!

23/01/2005

A TEOLOGIA DO CHOQUE

Depois do choque fiscal (importado por Miguel Frasquilho para o programa eleitoral de Durão Barroso), do choque tecnológico (de paternidade incerta, mas apresentado como novidade (?) no programa eleitoral de José Sócrates), temos agora o choque de gestão (como conceito matricial introduzido por António Mexia no programa eleitoral do PSD). Parece que há um novo mandamento na política portuguesa: "chocai-vos uns aos outros". Citando Eça, "só à bengalada"!

21/01/2005

ANGEL BLOGS (XXIV) - ENDEREÇO


chamo-te baixinho
com medo que o sopro das palavras
te apague
na minha memória

20/01/2005

AS PALAVRAS E O VENTO QUE PASSA - RÉPLICA AO NUNO BARATA

Nota prévia - Fiquei cheio de inveja do post do Nuno Barata "Quando o Anjo do Mundo devia ter sido Anjo mudo" porque ele consegue fazer um link no título e eu - na mais profunda ignorância informática, da qual as "conversas de alcova" não me arrancam - ignoro esta "performance".
Vamos à matéria da réplica.
Perdido nos argumentos pitorescos, em volta das conversas de rua e das "conversas de alcova", o NB não quer dar a mão à palmatória...
A informação quanto à localização dos pavilhões à mudança do pavilhão da Associação que promove os Açores são públicas, não apenas entre os empresários do sector com quem o NB tem conversas - não sei de "de alcova" também - mas acessíveis ao público em geral.
Argumentos trocados, a minha pergunta fica sem resposta: deve ou existir uma estratégia de promoção diferenciada dos Açores?
Lembro que 70% do fluxo turístico para os Açores tem a ilha de São Miguel como destino.
A promoção dos Açores que a Região persiste em fazer é a mais adequada à promoção turística da Região.
Pelo argumento que parece fluir dos escritos do NB - e de alguns comentários que o acompanham - a promoção da Região deve ser genérica, cobrindo - como sucede agora - o designado "destino Açores".
A ser assim, anda meio mundo do negócio turísitico enganado: é que a Região do Turismo do Algarve promove o Algarve, a Região de Turismo dos Templarários promove Santarém e outros concelhos... e por aí adiante.
É comum - para quem visita a BTL - ver as promoções dos destinos globais a par da promoção de zonas específicas (por exemplo a promoção do Brasil está repartida por várias zonas: por Estados e dentro, destes por áreas mais pequenas, como sucede - apenas para dar um exemplo que nos afectivamente próximo - com o Estado de Santa Catarina, que se promove através da divulgação em stand's próprios de Florianópolis, Balneário Cumburiá, Blumenau...).
Como o NB poderá ver, não basta um click ou uma conversa...
Declaração de interesses: Sou visistante habitual da BTL, falo com empresários do sector do turismo e doutros sectores e estou preocupado com algumas das opções estratégicas quanto ao desenvolvimento turístico dos Açores.


19/01/2005

QUEM MUITO FALA....

Em jeito de resposta ao Nuno Barata
O Nuno Barata escreve um post a propósito da participação das Câmaras Municipais de São Miguel na BTL, em pavilhão próprio (diferente daquele em que a Região se apresenta, através da Associação de Turismo dos Açores).
Como sucede por vezes, o NB escreve mais rápido do que a sua sombra, fazendo concorrência ao "cow-boy" solitário, e tira conclusões precipitadas...
As Câmaras Municipais de São Miguel não estão num pavilhão do "cú de judas" (como ele escreveu). Por acaso até estão no mesmo pavilhão (o pavilhão 2) em que se encontra a Região Autónoma da Madeira. Neste pavilhão, por acaso, também estão representadas as Regiões de Turismo, Juntas de Turismo.... Tudo isto o Nuno Barata (também candidato a Deputado) poderia ter verificado com um simples clique no site da BTL (como eu fiz, de resto...)
Mas mais: os Açores é que solicitaram à organização a sua mudança para o pavilhão 1, dada a natureza da sua representação institucional: através duma Associação que vendeu o espaço no pavilhão às empresas que ali se quiseram fazer representar. Pelo contrário, no pavilhão 2, estão representados os designados "institucionais"...
A ligeireza do post do NB omite - porque faz parte da essência dos comentários ligeiros - a questão essencial: faz ou não sentido a promoção turística directa da ilha de São Miguel, num contexto em que a promoção turística da Região é do género "linha branca" , promovendo por igual a imagem da Região?
Eu sou dos que pensam que sim. O que pensa o NB desta matéria?
Naturalmente que a abordagem que proponho ao NB provoca menos reacções dos visitantes do blog e não contribui para alimentar o espírito de "night rider" que ele gosta de cultivar.