Um comentário sobre as "novas" propostas do candidato a Deputado, Nuno Barata, colocadas aqui, em comentário a um post dele.
07/01/2005
OS NÚMEROS E O FAZ DE CONTA...
O relatório do Banco de Portugal e as declarações do Ministro das Finanças na estrevista que deu ontem à SIC Notícias confirmam que as expectativas de crescimento da economia para este ano são bem mais conservadoras conservadoras do que aquelas em que assenta o OE para 2005, situando-se em cerca de 1,6%.
O problema já não está na verdade deste orçamento específico ou de qualquer outro. O problema já não tem a ver com este Governo ou com qualquer outro. Como já se percebeu, há um problema de financimanento do Estado: entra governo e sai governo e o resultado é praticamente o mesmo: aplicam-se medidas de restrição quando o momento impõe e gasta-se quando se acha que o pouco poupado já é o suficiente.
Como economistas insuspeitos têm apontado - e o Banco de Portugal tem dito repetidamente - há uma problema estrutural com a despesa pública. Podemos sempre adiar o ataque ao problema, enquanto houver receitas extraordinárias para cobrir o défice, até um dia em que o País vai gritar que o orçamento vai nú. Até ao dia!
05/01/2005
JOGO FALADO
Os piores tiques do futebol reproduzem-se na política. A capa do DIÁRIO DE NOTÍCIAS de hoje, essencialmente dedicada ao PSD (Pôncio Monteiro, Margarida Rebelo Pinto, cartaz-que-não o foi) revela bem um clima político que ultrapassa as naturais e inevitáveis dificuldades na elaboração de listas.
O PSD parece ter aprendido pouco com os últimos meses...
04/01/2005
A EUROPA SOB O SIGNO DO FUTURO
Iniciou-se na segunda-feira o semestre da presidência luxemburguesa da União Europeia. Durante os próximos seis meses, o Primeiro-Ministro do Luxemburgo, Jean-Claude Juncker, enfrenta problemas estruturais que condicionam o futuro próximo da União em três dossiês: o orçamento pluria-anual (perspectivas financeiras) da União para 2007-2013, a revisão do pacto de estabilidade e crescimento (PEC) e o relançamento da Estratégia de Lisboa. Para ler aqui ao lado, no anjo mudo.
BARBEIRO ACIDENTAL
A criança - aí duns sete anos - mirou, com um olhar crítico a árvore de natal, já meia seca e com alguns ramos partidos. Voltou-se para o pai e exclamou: "Esta árvore precisa de ir ao barbeiro!"
Bom dia!
03/01/2005
O PRESIDENTE E OS PACTOS FUGIDIOS
(Post quase atrasado)
Na sua mensagem de ano novo, o Presidente da República propôs a realização de pactos de regime. Esquecerá o Dr. Jorge Sampaio que o líder da oposição é o Primeiro-Ministro demissionário, chefe duma maioria que não mereceu a confiança do Presidente da República para continuar a governar? A maioria que não merecia confiança para governar, embora viesse a dispor de confiança para aprovar um orçamento agora é convocada (será o termo?) para - seja na condição de maioria ou de futura minoria - rubricar pactos de regime? Terá o Presidente da República inaugurado o conceito da confiança de geometria variável?
Há muito que o Presidente da República perdeu o decoro político!
O SECRETÁRIO REGIONAL QUE SABE QUE É SECRETÁRIO REGIONAL
O Secretário Regional da Presidência do Governo Regional dos Açores, em entrevista ao EXPRESSO DAS NOVE, apesar da insitência do jornalista, não é capaz de dar um exemplo sequer dos projectos "interdepartamentais" que é suposto coordenar e que estariam no âmbito das suas competências governamentais. Naquelas competências restam as relações com o Parlamento, a comunicação social (sem que se saiba bem para quê, já que o Presidente do Governo já afirmou e reafirmou que a regionalização da RTP e da RTP não é uma prioridade) e umas ambíguas funções de representação na União Europeia, a partilhar - certamente - com o Vice-Presidente do Governo e com os assessores do Presidente do Governo.
Teria sido mais claro se o Dr. Vasco Cordeiro assumisse que tem ou aspira a ter funções de coordenação política do Governo!
Para o fututo, fica a nota que o Dr. Vasco Cordeiro se conforma com a figura de Ministro da República, com esta ou com outra designação.
CASE E AJUDE A EQUILIBRAR AS CONTAS DO ESTADO
A notícia é do caderno de economia do circunspecto EXPRESSO (não disponível on-line): os casamentos representam 3,5% do PIB. A conclusão da notícia, segundo a entidade organizadora duma feira de serviços e preparativos para o casamento, é que a indústria do casamento é importante para a economia nacional.
Depois disto, já imagino os programas eleitorais para as próximas eleições a proporem medidas de incentivo ao casamento, como forma de equilíbrio das contas do país!
01/01/2005
BOM ANO
Bom ano. Assim mesmo, sem adjectivos. Bom ano, como substantivo do desejo.
Invoco um velho poema de Emanuel Félix, um dos meus poetas:
O vento precisa dos moinhos
O mar precisa dos navios
O sol precisa das nuvens
Assim eu preciso de ti:
navio moinho núvem
(Bilhete para Filomena, A palavra o açoite, 1977)
Invoco um velho poema de Emanuel Félix, um dos meus poetas:
O vento precisa dos moinhos
O mar precisa dos navios
O sol precisa das nuvens
Assim eu preciso de ti:
navio moinho núvem
(Bilhete para Filomena, A palavra o açoite, 1977)
30/12/2004
A COMUNICAÇÃO E OS BLOGUES
Os blogues vieram revolucionar a comunicação, como o ano de 2004 confirmou. A revista Fortune , na sua selecção dos tech trends de 2004, colocou os blogues em primeiro lugar.
Os blogues não só permitem a instantaneidade, como possibilitam a publicação para o grande público sem o filtro da edição. Na blogosfera há de tudo, desde as leviandades inconsequentes até às reflexões serenas sobre política, cultura, ciência... ou as imagens, quase em tempo real, da recente tragédia no Sudeste Asiático. Nem sempre é fácil descobrir os blogues que nos interessam, no mar imenso da rede. O acesso à informação útil que estes blogues contêm, ou melhor, o acesso à informação e a capacidade de a interpretar e de a cruzar com outra informação, será um dos factores determinantes na sociedade do futuro.
29/12/2004
POSTAIS, SA
Porque ainda é tempo!
Porque ainda é tempo!
Como é próprio da época, os postais de Natal inundam as caixas de correio. A essência do gesto de enviar um postal de Natal já se perdeu há muito: hoje, enviam-se postais de Natal do mesmo modo como os hipermercados nos fazem chegar a casa os folhetos com as últimas promoções de garrafas de óleo ou comida para cão.
Às catadupas, sem um traço de intimidade ou sequer do calor humano que seria próprio da quadra, os postais de Natal anunciam pais natais sorridentes, árvores de bolinhas berrantes e piedosas imagens religiosas, de duvidosa qualidade e "made in China", acompanhadas das inevitáveis "boas festas e feliz ano novo" já impressas, para dar menos trabalho.
Dos remetentes, quantas vezes nem rasto: apenas um fugaz endereço inscrito no local destinado ao remetente... no envelope. Ou, em alternativa, uma assinatura já impressa no fundo do postal, que alguém se terá lembrado de aconselhar, julgando introduzir um toque de modernidade na velha tradição.
Boas festas apressadas!
Postais assim provocam-me "stress" natalício e uma vontade imediata de os fazer arder copiosamente na lareira da sala.
27/12/2004
AS PEDRAS E OS HOMENS
As imagens do horror no Sudeste Asiático fazem-nos pensar, sobretudo quando a brutalidade do sismo nos atinge na quadra natalícia. Talvez por isso mesmo, damos mais atenção à dimensão da tragédia. Questionamos tudo: o sentido da nossa vida, a fragilidade da condição humana, a justiça divina. Perguntamos "porquê?", sem termos resposta... Apenas olhamos estarrecidos, de olhos muito abertos, de coração apertado, perguntando muito baixinho: quando será a nossa vez?
24/12/2004
E NO CÉU BRILHOU UMA ESTRELA...
Contaremos hoje aos nossos filhos a história da nossa Fé, que nos foi contada pelos nossos avós e pelos avós dos nossos avós.
Falaremos duma estrela que guiou Reis Magos, por uma parte do mundo conhecido para adorarem um Menino desconhecido.
Diremos que esta estrela provocou as suspeitas noutro rei, de poder bem mais terreno.
Lembraremos que um anjo mensageiro anunciou a humildes pastores o nascimento duma criança.
Esta estrela, ao contrário de todas as outras estrelas que a astronomia ensina, baixou sobre uma gruta, desafiando as leis do universo, mas inaugurando uma nova lei, bem mais universal, para todos os homens.
Nesta história, o que sempre me seduziu, foi o facto de três homens se terem posto a caminho, acreditando sem ver. Apenas acreditando...
Resta lembrar que celebramos esta noite o nascimento de Jesus e não do Pai Natal!
Um Santo Natal!
22/12/2004
COMPROMISSOS COM A MEMÓRIA
Uma reflexão sobre a lista do PS para a Assembleia da República pelo círculo eleitoral dos Açores e uma nota sobre o PSD, publicada no Açoriano Oriental de hoje e no anjo mudo.
A DOENÇA DA SAÚDE
O relatório da auditoria que o Tribunal de Contas efectuou ao Hospital da Horta, hoje divulgado aqui, é mais um triste exemplo do estado da saúde nos Açores e da falência do modelo de gestão do Serviço Regional da Saúde.
As conclusões desta auditoria quase repetem as da auditoria realizada pelo mesmo Tribunal ao Centro de Saúde da Madalena do Pico (aqui): despesas realizadas sem a necessária cobertura orçamental, elevadissímo número de horas extrordinárias, acima dos limites legais, um peso excessivo com os custos de pessoal, altas taxas de absentismo.
Tudo isto sem que o atendimento aos utentes tenha aumentado na proporção dos gastos ou que as listas de espera dos utentes se tenham contido dentro dos limites temporais clinicamente aceitáveis (a título de exemplo, recordo que a lista de espera para a realização dum TAC na ilha do Faial é dois anos. Isso mesmo: DOIS ANOS!).
Cinco titulares da pasta da Saúde depois, um défice galopante no Serviço Regional da Saúde (SRS), o resultado da governação socialista nesta área é o exemplo acabado da má-governação.
É verdade quer há um problema crónico de sub-financiamento do SRS. É verdade que a nossa realidade insular condiciona fortemente a política deste sector. Mas, não é mesmo verdade que a saúde se tornou o reino da ineficiência e da ausência de gestão dos (parcos) recursos. Sobretudo, a política regional de saúde tem esquecido os cidadãos, afinal a razão de ser do SRS.
Voltarei ao tema, não só pela sua importância, mas porque é uma das áreas que permite aos cidadãos perceberem que há do que uma maneira de lidar com os problemas e de propor políticas alternativas.
20/12/2004
AS QUEIJADAS E O BENFICA
(Um post atrasado dois dias...)
Final do jogo Benfica-Penafiel, no Estádio da Luz. O Benfica venceu sem convencer. De novo uma vitória que não consola a alma.
À saída do estádio a inevitável aglomeração. No meio do frio da noite, a voz da vendedora de queijadas de Sintra sobressai, num pregão cristalino: "Comprem, comprem! Dão mais força que o viagra!"
Pensei, de imediato, comprar duas dúzias e oferece-las ao balneário encarnado...
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