ANGEL BLOGS (VII) – RESSACA DO TEMPO
Afogado em prazos, papéis, reuniões, os dedos fugiram-me do blog. Tornei-me prisioneiro do rush dos dias que teimam em escapar. Cronos manda na nossa vida. Limito-me a convocar um dos meus poetas – Al Berto – “o tempo sempre esteve aqui, e eu passei por ele quase sempre sozinho”.
20/10/2003
10/10/2003
07/10/2003
ANGEL BLOGS (V) – TINTA PERMANENTE
O teclado do computador nunca fará morrer o prazer subtil de escrever com uma caneta de tinta permanente. As minhas memórias de escrita fazem-se dos tinteiros de louça branca, plantados nas secretárias de dois lugares, da escola primária. Da tinta azul, aguada, de má qualidade, de cheiro intenso. Do giz branco que usava para ensopar a tinta que, volta não volta, teimava em borrar o “caderno da escola” – obra laboriosa de letra trémula – ou contagiar a alvura da bata.
Do meu computador não tenho memórias para inventar!
O teclado do computador nunca fará morrer o prazer subtil de escrever com uma caneta de tinta permanente. As minhas memórias de escrita fazem-se dos tinteiros de louça branca, plantados nas secretárias de dois lugares, da escola primária. Da tinta azul, aguada, de má qualidade, de cheiro intenso. Do giz branco que usava para ensopar a tinta que, volta não volta, teimava em borrar o “caderno da escola” – obra laboriosa de letra trémula – ou contagiar a alvura da bata.
Do meu computador não tenho memórias para inventar!
O INSUPORTÁVEL SILÊNCIO
As novas revelações da SIC sobre as relações entre os Gabinetes de Martins da Cruz e de Pedro Lynce fazem suspeitar de que ainda há factos por apurar. Perante o que já é do domínio público, o Ministro Martins da Cruz tem de prestar públicas explicações. Se a sua opção for um diplomático silêncio, a sua permanência no Governo tornar-se-á insuportável.
As novas revelações da SIC sobre as relações entre os Gabinetes de Martins da Cruz e de Pedro Lynce fazem suspeitar de que ainda há factos por apurar. Perante o que já é do domínio público, o Ministro Martins da Cruz tem de prestar públicas explicações. Se a sua opção for um diplomático silêncio, a sua permanência no Governo tornar-se-á insuportável.
06/10/2003
O PREÇO DA INGENUIDADE – NOTAS QUASE TARDIAS
Pedro Lynce pagou o preço duma certa ingenuidade pessoal e política. Porque o conheço, não tenho dúvidas que agiu de boa fé em todo o caso que culminou com a sua demissão.
O voluntarismo pessoal do Prof. Pedro Lynce – uma marca da sua personalidade – levou-o a não ponderar as implicações políticas do seu despacho, que levaram a fragilização da posição do Primeiro-Ministro que agiu como teria que agir: aceitar a demissão do Ministro.
Anote-se, porém, que Durão Barroso teve um gesto significativo em relação a Pedro Lynce: ouviu-o em relação à escolha do seu sucessor.
No meio de tudo isto, fica ainda a histeria da oposição que dum temporal fez uma tempestade política, à falta de melhores argumentos para atacar o Governo ou a maioria que o suporta. Não deixa, porém, de ser sintomático dum certo estado de alma, que a prática dum acto administrativo ilegal por parte dum Ministro provoque a sua demissão.
Em tudo o mais, na política, como na vida, ainda acredito na palavra de honra. Neste domínio não comungo da visão – aparentemente – cínica de Pacheco Pereira – abrupto.
Pedro Lynce pagou o preço duma certa ingenuidade pessoal e política. Porque o conheço, não tenho dúvidas que agiu de boa fé em todo o caso que culminou com a sua demissão.
O voluntarismo pessoal do Prof. Pedro Lynce – uma marca da sua personalidade – levou-o a não ponderar as implicações políticas do seu despacho, que levaram a fragilização da posição do Primeiro-Ministro que agiu como teria que agir: aceitar a demissão do Ministro.
Anote-se, porém, que Durão Barroso teve um gesto significativo em relação a Pedro Lynce: ouviu-o em relação à escolha do seu sucessor.
No meio de tudo isto, fica ainda a histeria da oposição que dum temporal fez uma tempestade política, à falta de melhores argumentos para atacar o Governo ou a maioria que o suporta. Não deixa, porém, de ser sintomático dum certo estado de alma, que a prática dum acto administrativo ilegal por parte dum Ministro provoque a sua demissão.
Em tudo o mais, na política, como na vida, ainda acredito na palavra de honra. Neste domínio não comungo da visão – aparentemente – cínica de Pacheco Pereira – abrupto.
GLÓRIA FÁCIL
Agradeço a referência simpática e amiga que o glória fácil fez ao ANJO DO MUNDO. O glória fácil é de leitura obrigatória. A sua escrita a oito mãos faz-me reflectir sobre o cimento das escritas de cada um e sobre o que gostam de escrever jornalistas que estimo e cujas amizades prezo, quando não escrevem enquanto jornalistas (voltarei ao assunto brevemente).
Nalguns domínios, não há diferenças entre a blogosfera e a vida. A pretensa dicotomia entre o “cá dentro” e “lá fora” não passa duma tentativa de dividir o(s) mundo(s) com uma de linha de Tordesilhas imaginária.
Blogamos como vivemos!
Agradeço a referência simpática e amiga que o glória fácil fez ao ANJO DO MUNDO. O glória fácil é de leitura obrigatória. A sua escrita a oito mãos faz-me reflectir sobre o cimento das escritas de cada um e sobre o que gostam de escrever jornalistas que estimo e cujas amizades prezo, quando não escrevem enquanto jornalistas (voltarei ao assunto brevemente).
Nalguns domínios, não há diferenças entre a blogosfera e a vida. A pretensa dicotomia entre o “cá dentro” e “lá fora” não passa duma tentativa de dividir o(s) mundo(s) com uma de linha de Tordesilhas imaginária.
Blogamos como vivemos!
02/10/2003
AS TIME GOES BY
As últimas aparições públicas de João Paulo II revelam um homem de corpo alquebrado e um rosto, quase sempre, atormentado por um «rictus» de dor. O Papa é a marca do sofrimento físico e ao mesmo da anulação desse sofrimento, entendido apenas como mais um sinal de provação do corpo.
Este Papa peregrino já está para lá das limitações do que é apenas «corpore». A sua força interior, a sua determinação, ultrapassam as contingências que a idade não perdoa. Talvez por isso, seja tão amado pelos mais jovens.
Carismático, afirmativo, combativo, de uma lucidez política impressionante, renovador e conservador, carismático, popular e introspectivo, contraditório quantas vezes, abriu a Igreja Católica ao mundo. Sem ter convocado um Concílio, como o Papa João, provocou um novo «aggiornamento» na Igreja do século XX. Muitas das consequências desta mudança apenas serão perceptíveis ao longo deste novo século que está a começar. O seu longo papado foi exercido sob o signo duma Igreja no meio dos homens. O exemplo pessoal de coragem e de sacrifício do Papa fazem mais pela Igreja e pela fé no homem em comunhão com Deus do que uma nova encíclica – perdoe-se-me a quase heresia. Olho para a foto que o DN publica e fico impressionado. Penso que ninguém fica indiferente!
As últimas aparições públicas de João Paulo II revelam um homem de corpo alquebrado e um rosto, quase sempre, atormentado por um «rictus» de dor. O Papa é a marca do sofrimento físico e ao mesmo da anulação desse sofrimento, entendido apenas como mais um sinal de provação do corpo.
Este Papa peregrino já está para lá das limitações do que é apenas «corpore». A sua força interior, a sua determinação, ultrapassam as contingências que a idade não perdoa. Talvez por isso, seja tão amado pelos mais jovens.
Carismático, afirmativo, combativo, de uma lucidez política impressionante, renovador e conservador, carismático, popular e introspectivo, contraditório quantas vezes, abriu a Igreja Católica ao mundo. Sem ter convocado um Concílio, como o Papa João, provocou um novo «aggiornamento» na Igreja do século XX. Muitas das consequências desta mudança apenas serão perceptíveis ao longo deste novo século que está a começar. O seu longo papado foi exercido sob o signo duma Igreja no meio dos homens. O exemplo pessoal de coragem e de sacrifício do Papa fazem mais pela Igreja e pela fé no homem em comunhão com Deus do que uma nova encíclica – perdoe-se-me a quase heresia. Olho para a foto que o DN publica e fico impressionado. Penso que ninguém fica indiferente!
QUANDO O DISCURSO DEFINE O HOMEM
O discurso de Tony Blair foi um acerto de contas com o destino. O Primeiro-Ministro britânico arrebatou o congresso do New Labour e prepara-se para reconquistar os britânicos. Dum discurso para a história – e o tempo se encarregará de do dizer – ressalta a coerência em matéria de política internacional – afinal o nó górdio político do momento – e a frontalidade nas opções.
Ao assumir a sua opção quanto à intervenção no Iraque, Blair sustenta que a grande ameaça que o século XXI enfrenta é do terrorismo difuso. Num momento em que seria mais fácil emendar a mão política, Blair preferiu o caminho mais difícil: o do realismo.
Tony Blair poderá não conseguir a eleição para um terceiro mandato, mas entrou já no universo dos grandes políticos da nossa era. Importa aqui recordar que a consistência ideológica da intervenção no Iraque foi sendo construída mais pelo Primeiro Ministro britânico do que pelo Presidente americano.
Numa Europa em que escasseiam os grandes líderes – sobretudo os líderes de convicções fortes, visionários – Tony Blair conquistou um espaço por direito próprio.
O discurso de Tony Blair foi um acerto de contas com o destino. O Primeiro-Ministro britânico arrebatou o congresso do New Labour e prepara-se para reconquistar os britânicos. Dum discurso para a história – e o tempo se encarregará de do dizer – ressalta a coerência em matéria de política internacional – afinal o nó górdio político do momento – e a frontalidade nas opções.
Ao assumir a sua opção quanto à intervenção no Iraque, Blair sustenta que a grande ameaça que o século XXI enfrenta é do terrorismo difuso. Num momento em que seria mais fácil emendar a mão política, Blair preferiu o caminho mais difícil: o do realismo.
Tony Blair poderá não conseguir a eleição para um terceiro mandato, mas entrou já no universo dos grandes políticos da nossa era. Importa aqui recordar que a consistência ideológica da intervenção no Iraque foi sendo construída mais pelo Primeiro Ministro britânico do que pelo Presidente americano.
Numa Europa em que escasseiam os grandes líderes – sobretudo os líderes de convicções fortes, visionários – Tony Blair conquistou um espaço por direito próprio.
01/10/2003
COISAS ANTIGAS
Numa destas madrugas de vigília, li a «Senhora dos Açores», de Romana Petri (da Cavalo de Ferro). O livro estava na mesa de cabeceira à espera das leituras que a noite impõe.
Um olhar sereno sobre uns Açores divididos entre a chegada e a partida, o negrume das tempestades e luminosidade dos sonhos. Memórias mágicas de gente que vive no mar. Um Deus que paira sobre as coisas e dentro de cada um.
Este livro é um roteiro de solidões trocadas, de sentimentos antigos.
Numa destas madrugas de vigília, li a «Senhora dos Açores», de Romana Petri (da Cavalo de Ferro). O livro estava na mesa de cabeceira à espera das leituras que a noite impõe.
Um olhar sereno sobre uns Açores divididos entre a chegada e a partida, o negrume das tempestades e luminosidade dos sonhos. Memórias mágicas de gente que vive no mar. Um Deus que paira sobre as coisas e dentro de cada um.
Este livro é um roteiro de solidões trocadas, de sentimentos antigos.
30/09/2003
TONY BLAIR NO SEU LABIRINTO
A capa da última edição da Newsweek é poderosa: uma foto de Tony Blair, manipulada para o fazer parecer mais velho, acompanhada do título «The twilight of Tony Blair».
No congresso de Bournemouth, o líder dos trabalhistas, depois de ser um dos vencedores da guerra do Iraque, enfrenta o preço interno da sua opção: primeiro no país, depois no seu próprio partido.
O discurso de Blair, amanhã aos congressistas, será um dos mais importantes da sua carreira: nele o líder trabalhista jogará todo o seu prestígio pessoal e a sua envergadura política para provar o acerto das opções do seu Governo em matéria de política internacional, encetar um novo esforço de «damage control»a propósito do caso Kelly, mas sobretudo traçar novos desafios para a sociedade e para a política inglesas.
Tony Blair já provou que é um lutador e que se supera a si próprio nos momentos mais difíceis.
Não creio que este congresso seja ainda um sinal de viragem na política inglesa, sobretudo porque os conservadores ainda não construíram uma alternativa de governo credível. A hipótese de uma mudança de líder no seio dos trabalhistas, não sendo de afastar, não será muito provável, tendo em conta o forte ascendente de Blair sobre o partido e o apoio que – apesar de tudo – ainda goza junto dos eleitores.
A capa da última edição da Newsweek é poderosa: uma foto de Tony Blair, manipulada para o fazer parecer mais velho, acompanhada do título «The twilight of Tony Blair».
No congresso de Bournemouth, o líder dos trabalhistas, depois de ser um dos vencedores da guerra do Iraque, enfrenta o preço interno da sua opção: primeiro no país, depois no seu próprio partido.
O discurso de Blair, amanhã aos congressistas, será um dos mais importantes da sua carreira: nele o líder trabalhista jogará todo o seu prestígio pessoal e a sua envergadura política para provar o acerto das opções do seu Governo em matéria de política internacional, encetar um novo esforço de «damage control»a propósito do caso Kelly, mas sobretudo traçar novos desafios para a sociedade e para a política inglesas.
Tony Blair já provou que é um lutador e que se supera a si próprio nos momentos mais difíceis.
Não creio que este congresso seja ainda um sinal de viragem na política inglesa, sobretudo porque os conservadores ainda não construíram uma alternativa de governo credível. A hipótese de uma mudança de líder no seio dos trabalhistas, não sendo de afastar, não será muito provável, tendo em conta o forte ascendente de Blair sobre o partido e o apoio que – apesar de tudo – ainda goza junto dos eleitores.
29/09/2003
UMA PIADA TEOLÓGICA
As propostas que a revista italiana Jesus divulgou para uma reforma litúrgica na Igreja Católica não podem deixar nenhum católico, ou apenas cristão, indiferente. Num tempo em que a Igreja Católica tem feito um esforço para se aproximar do tempo em vivemos e para se abrir um pouco ao mundo, sem perder os seus valores de referência, a ideia de que não haverá aplausos nas Igrejas, que as celebrações ecuménicas serão restringidas, que os cânticos e as expressões de alegria serão moderadas e que as mulheres deixarão de ser interpretes da tímida abertura que os últimos permitiu (para referir apenas algumas das propostas) deixa-me constrangido, pois não é apenas um sinal de conservadorismo, antes traduzindo um mergulho na Igreja no Concílio de Trento. A Igreja para o mundo que o Vaticano II proclamou morrerá soterrada nos escombros destas medidas, que espero, não passem de uma obscura proposta de teólogos desencantados.
O Deus dos cristãos é alegria. Não pode ser um Deus arrumado em rituais enfadonhos, sisudo.
As propostas que a revista italiana Jesus divulgou para uma reforma litúrgica na Igreja Católica não podem deixar nenhum católico, ou apenas cristão, indiferente. Num tempo em que a Igreja Católica tem feito um esforço para se aproximar do tempo em vivemos e para se abrir um pouco ao mundo, sem perder os seus valores de referência, a ideia de que não haverá aplausos nas Igrejas, que as celebrações ecuménicas serão restringidas, que os cânticos e as expressões de alegria serão moderadas e que as mulheres deixarão de ser interpretes da tímida abertura que os últimos permitiu (para referir apenas algumas das propostas) deixa-me constrangido, pois não é apenas um sinal de conservadorismo, antes traduzindo um mergulho na Igreja no Concílio de Trento. A Igreja para o mundo que o Vaticano II proclamou morrerá soterrada nos escombros destas medidas, que espero, não passem de uma obscura proposta de teólogos desencantados.
O Deus dos cristãos é alegria. Não pode ser um Deus arrumado em rituais enfadonhos, sisudo.
26/09/2003
25/09/2003
COLISEU MICAELENSE – OUSAR SONHAR
Ontem, o velho Coliseu Micaelense, em Ponta Delgada, viveu um dia importante na sua já longa história (foi edificado em 1917), com a assinatura do contrato de adjudicação das obras para a sua recuperação. Propriedade da Câmara Municipal de Ponta Delgada, o Coliseu Micaelense é um dos três Coliseus em Portugal, a par dos de Lisboa e do Porto e a maior sala de espectáculos dos Açores.
O Coliseu é uma memória viva da identidade cultural de S. Miguel e dos Açores e bem revelador do espírito empreendedor das gentes das ilhas, que o construíram com recurso a materiais pouco utilizados até então (o uso do ferro forjado em varandins e na cúpula, por exemplo) e sem qualquer apoio do Estado, tendo o custo do projecto e da sua construção sido suportado por um punhado de homens bons de S. Miguel que ousaram sonhar.
Ontem, o velho Coliseu Micaelense, em Ponta Delgada, viveu um dia importante na sua já longa história (foi edificado em 1917), com a assinatura do contrato de adjudicação das obras para a sua recuperação. Propriedade da Câmara Municipal de Ponta Delgada, o Coliseu Micaelense é um dos três Coliseus em Portugal, a par dos de Lisboa e do Porto e a maior sala de espectáculos dos Açores.
O Coliseu é uma memória viva da identidade cultural de S. Miguel e dos Açores e bem revelador do espírito empreendedor das gentes das ilhas, que o construíram com recurso a materiais pouco utilizados até então (o uso do ferro forjado em varandins e na cúpula, por exemplo) e sem qualquer apoio do Estado, tendo o custo do projecto e da sua construção sido suportado por um punhado de homens bons de S. Miguel que ousaram sonhar.
24/09/2003
23/09/2003
TRISTE VIDA LEVA A TELEVISÃO
Eduardo Cintra Torres, de maneira desapaixonada e impiedosa (apenas porque a realidade que retrata o é em todo o seu esplendor ) no PÚBLICO de ontem,http://jornal.publico.pt/publico/2003/09/22/Media/ROLHO.html, desconstrói o alinhamento e o conteúdo do Telejornal da RTP1, de 11 de Setembro.
A informação já não é informação, como os manuais de jornalismo a caracterizam. Também já não é «info-entertainment», como a hiper-mediatização do real impôs. A informação noticiosa, dita de serviço público (e aqui a questão é apenas de escala em relação aos serviços noticiosos das televisão privadas) é agora um terceiro género, mistura explosiva da combinação da banalização do directo com as novas «notícias» feitas de não-acontecimentos e do abuso da linguagem coloquial (nas notícias transmitidas e nos rodapés que correm a par das imagens - afinal, também notícias).
Eduardo Cintra Torres, de maneira desapaixonada e impiedosa (apenas porque a realidade que retrata o é em todo o seu esplendor ) no PÚBLICO de ontem,http://jornal.publico.pt/publico/2003/09/22/Media/ROLHO.html, desconstrói o alinhamento e o conteúdo do Telejornal da RTP1, de 11 de Setembro.
A informação já não é informação, como os manuais de jornalismo a caracterizam. Também já não é «info-entertainment», como a hiper-mediatização do real impôs. A informação noticiosa, dita de serviço público (e aqui a questão é apenas de escala em relação aos serviços noticiosos das televisão privadas) é agora um terceiro género, mistura explosiva da combinação da banalização do directo com as novas «notícias» feitas de não-acontecimentos e do abuso da linguagem coloquial (nas notícias transmitidas e nos rodapés que correm a par das imagens - afinal, também notícias).
CANSADO DOS DIAS SEM CARROS
A iniciativa do «Dia sem carros»banalizou-se e provoca indiferença: dos cidadãos que a olham já como um incómodo provocado pelos «políticos», das cidades que a ela não aderem (este ano foram apenas 967 cidades em todo o mundo) ou se aderem, limitam a sua aplicação a espaços simbólicos e a curto espaço de tempo.
O problema não é do dia em si. As cidades continuam a crescer de modo pouco regrado, asfixiadas em automóveis que disputam o espaço citadino aos cidadãos. As cidades de hoje são dos carros e não das pessoas.
Recordo a expressão dum conhecido arquitecto que, em matéria de trânsito nas cidades, defendia que todos tivessem um BMW ( não, não é o que possam pensar, mas apenas o acrónimo de «bus, metro and walk»).
A experiência de Londres, ao impor uma portagem paga à entrada da cidade, que consegui já reduzir em 15% os níveis de tráfego é sedutora, embora só possa ser aplicada se existirem alternativas rápidas, fiáveis, confortáveis.
As cidades precisam de mais políticas corajosas e menos discursos piedosos em dias sem carros.
A iniciativa do «Dia sem carros»banalizou-se e provoca indiferença: dos cidadãos que a olham já como um incómodo provocado pelos «políticos», das cidades que a ela não aderem (este ano foram apenas 967 cidades em todo o mundo) ou se aderem, limitam a sua aplicação a espaços simbólicos e a curto espaço de tempo.
O problema não é do dia em si. As cidades continuam a crescer de modo pouco regrado, asfixiadas em automóveis que disputam o espaço citadino aos cidadãos. As cidades de hoje são dos carros e não das pessoas.
Recordo a expressão dum conhecido arquitecto que, em matéria de trânsito nas cidades, defendia que todos tivessem um BMW ( não, não é o que possam pensar, mas apenas o acrónimo de «bus, metro and walk»).
A experiência de Londres, ao impor uma portagem paga à entrada da cidade, que consegui já reduzir em 15% os níveis de tráfego é sedutora, embora só possa ser aplicada se existirem alternativas rápidas, fiáveis, confortáveis.
As cidades precisam de mais políticas corajosas e menos discursos piedosos em dias sem carros.
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