ANGEL BLOGS (VI) – UM QUADRADO DE MAR
Ouço o mar. Sinto o mar. Cheiro o mar. Não vejo o mar. A minha janela é um quadrado de mar imaginário.
O mar que me define. Que me inunda e consome.
Nunca fui capaz de viver longe do mar. Quando morrer, bastará um epitáfio simples: gostava do mar!
10/10/2003
07/10/2003
ANGEL BLOGS (V) – TINTA PERMANENTE
O teclado do computador nunca fará morrer o prazer subtil de escrever com uma caneta de tinta permanente. As minhas memórias de escrita fazem-se dos tinteiros de louça branca, plantados nas secretárias de dois lugares, da escola primária. Da tinta azul, aguada, de má qualidade, de cheiro intenso. Do giz branco que usava para ensopar a tinta que, volta não volta, teimava em borrar o “caderno da escola” – obra laboriosa de letra trémula – ou contagiar a alvura da bata.
Do meu computador não tenho memórias para inventar!
O teclado do computador nunca fará morrer o prazer subtil de escrever com uma caneta de tinta permanente. As minhas memórias de escrita fazem-se dos tinteiros de louça branca, plantados nas secretárias de dois lugares, da escola primária. Da tinta azul, aguada, de má qualidade, de cheiro intenso. Do giz branco que usava para ensopar a tinta que, volta não volta, teimava em borrar o “caderno da escola” – obra laboriosa de letra trémula – ou contagiar a alvura da bata.
Do meu computador não tenho memórias para inventar!
O INSUPORTÁVEL SILÊNCIO
As novas revelações da SIC sobre as relações entre os Gabinetes de Martins da Cruz e de Pedro Lynce fazem suspeitar de que ainda há factos por apurar. Perante o que já é do domínio público, o Ministro Martins da Cruz tem de prestar públicas explicações. Se a sua opção for um diplomático silêncio, a sua permanência no Governo tornar-se-á insuportável.
As novas revelações da SIC sobre as relações entre os Gabinetes de Martins da Cruz e de Pedro Lynce fazem suspeitar de que ainda há factos por apurar. Perante o que já é do domínio público, o Ministro Martins da Cruz tem de prestar públicas explicações. Se a sua opção for um diplomático silêncio, a sua permanência no Governo tornar-se-á insuportável.
06/10/2003
O PREÇO DA INGENUIDADE – NOTAS QUASE TARDIAS
Pedro Lynce pagou o preço duma certa ingenuidade pessoal e política. Porque o conheço, não tenho dúvidas que agiu de boa fé em todo o caso que culminou com a sua demissão.
O voluntarismo pessoal do Prof. Pedro Lynce – uma marca da sua personalidade – levou-o a não ponderar as implicações políticas do seu despacho, que levaram a fragilização da posição do Primeiro-Ministro que agiu como teria que agir: aceitar a demissão do Ministro.
Anote-se, porém, que Durão Barroso teve um gesto significativo em relação a Pedro Lynce: ouviu-o em relação à escolha do seu sucessor.
No meio de tudo isto, fica ainda a histeria da oposição que dum temporal fez uma tempestade política, à falta de melhores argumentos para atacar o Governo ou a maioria que o suporta. Não deixa, porém, de ser sintomático dum certo estado de alma, que a prática dum acto administrativo ilegal por parte dum Ministro provoque a sua demissão.
Em tudo o mais, na política, como na vida, ainda acredito na palavra de honra. Neste domínio não comungo da visão – aparentemente – cínica de Pacheco Pereira – abrupto.
Pedro Lynce pagou o preço duma certa ingenuidade pessoal e política. Porque o conheço, não tenho dúvidas que agiu de boa fé em todo o caso que culminou com a sua demissão.
O voluntarismo pessoal do Prof. Pedro Lynce – uma marca da sua personalidade – levou-o a não ponderar as implicações políticas do seu despacho, que levaram a fragilização da posição do Primeiro-Ministro que agiu como teria que agir: aceitar a demissão do Ministro.
Anote-se, porém, que Durão Barroso teve um gesto significativo em relação a Pedro Lynce: ouviu-o em relação à escolha do seu sucessor.
No meio de tudo isto, fica ainda a histeria da oposição que dum temporal fez uma tempestade política, à falta de melhores argumentos para atacar o Governo ou a maioria que o suporta. Não deixa, porém, de ser sintomático dum certo estado de alma, que a prática dum acto administrativo ilegal por parte dum Ministro provoque a sua demissão.
Em tudo o mais, na política, como na vida, ainda acredito na palavra de honra. Neste domínio não comungo da visão – aparentemente – cínica de Pacheco Pereira – abrupto.
GLÓRIA FÁCIL
Agradeço a referência simpática e amiga que o glória fácil fez ao ANJO DO MUNDO. O glória fácil é de leitura obrigatória. A sua escrita a oito mãos faz-me reflectir sobre o cimento das escritas de cada um e sobre o que gostam de escrever jornalistas que estimo e cujas amizades prezo, quando não escrevem enquanto jornalistas (voltarei ao assunto brevemente).
Nalguns domínios, não há diferenças entre a blogosfera e a vida. A pretensa dicotomia entre o “cá dentro” e “lá fora” não passa duma tentativa de dividir o(s) mundo(s) com uma de linha de Tordesilhas imaginária.
Blogamos como vivemos!
Agradeço a referência simpática e amiga que o glória fácil fez ao ANJO DO MUNDO. O glória fácil é de leitura obrigatória. A sua escrita a oito mãos faz-me reflectir sobre o cimento das escritas de cada um e sobre o que gostam de escrever jornalistas que estimo e cujas amizades prezo, quando não escrevem enquanto jornalistas (voltarei ao assunto brevemente).
Nalguns domínios, não há diferenças entre a blogosfera e a vida. A pretensa dicotomia entre o “cá dentro” e “lá fora” não passa duma tentativa de dividir o(s) mundo(s) com uma de linha de Tordesilhas imaginária.
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