05/09/2003

O DÉFICE DE UNS E AS VIRTUDES DE OUTROS

O Ministério das Finanças anunciou que o défice público para este ano será de 2,944%, pelo que se conterá dentro dos limites do Pacto de Estabilidade e Crescimento. Num visível esforço, o Governo procura cumprir o “compromisso de honra”, como o designou o Ministro Morais Sarmento, à custa da contenção real das despesas públicas, mas também de elaboradas operações contabilísticas de venda e de englobamento de património. Ao mesmo tempo, o Primeiro-Ministro francês anuncia uma descida nos impostos sobre os rendimentos, quando se prevê um défice público da ordem dos 4%. Quando o PEC foi uma imposição dos grandes (da Alemanha e da França, sobretudo) para conter os desmandos económicos dos pequenos países da União, é, pelo menos irónico que um dos grandes não cumpra o PEC e faça gala em não o cumprir, confiando que a retoma do investimento induzida pela despesa pública sirva melhor os interesses económicos da França.
O esforço de contenção económica do governo é louvável em termos gerais e o seu ímpeto reformista é assinalável, mas em matéria de défice público, o Governo deveria ser menos inflexível, sobretudo quando está provado que a verdadeira redução do défice assenta na redução da despesa pública corrente.
A SUAVE LENTIDÃO DAS MANHÃS

Por vezes, gosto das manhãs. Acordar mais cedo, sentir o dia a espreguiçar-se, escutar os sons das coisas. De férias, deixo-me levar por esta indolência matinal e por rotinas invulgares para o dia-a-dia: sair para comprar os jornais e regressar a casa, para os ler, vagarosamente à hora do pequeno-almoço. Saborear o mundo sem impaciências. Olhar o céu à noite, tentando adivinhar o meu nome nas estrelas.